terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Nem Tão Conto de Fadas Linguístico

Em meados da década de 60, surgiu na província da Linguística uma senhora chamada Teoria Gerativa. Ela era uma mistura de tradição - herdada de seus antepassados que pregavam que tudo na vida era estrutura - e de um feminismo meio hiponga que queria se impor para o mundo. Era uma pessoa meio que de difícil convivência, toda explicadinha e cheia de regras; aliás, a coisa que ela mais adorava eram as regras, pois delas não abria mão de jeito nenhum. Inclusive, se namorava, já dizia que o rapaz deveria segui-las uma a uma metodicamente. Quando não conseguia explicar a gênese das coisas, logo pululavam as palavras: - Dá bola, não; é inato. Os rapazes, como sempre, bobinhos, nem ligavam; achavam até engraçado o seu jeito meio desengonçado de lidar com a vida. Afinal, gostavam mesmo era de seu corpo cheio de ramificações pra lá e pra cá; na hora do "vamô vê", eram braços pra todos os lados. E eles suavam. Não queria ter filhos, pois achava que era autosuficiente e que poderia dar conta de tudo sozinha, mas no final gostava de um pequeno auxílio desse ou daquele, safada.
Num certo dia, em um desses encontros com amigos, ela acabara bebendo demais e começou a conversar com um rapaz meio quieto - pode-se dizer que era até seu contemporâneo - chamado Conexionismo. Esse era bem tímido, tinha ideias meio malucas e acreditava numa vida artificial. Ninguém acreditava nele, é claro. Bebia demais em outras provínicas e era meio nômade. A TG, para os íntimos, queria mesmo era diversão já que era famosa e podia bancar tudo o que queria. Ele, coitado, sempre duro e sem um tostão no bolso, mas crente na sua filosofia de vida, digamos, meio boêmia. Mas foi nesse encontro que começaram a conversar, a ver que tinham até coisas em comum, já que ela, para a sua época, era bem liberal. Acabaram ficando naquela noite, mas ninguém sabe onde. Ela quis segredo.
Passado um tempo, soube-se que casaram, mas que atualmente estão separados. Parece que nem se falam mais; ela virou alcoólatra e ele parou de beber. A única coisa que comentam é que estão felizes para sempre, separados, obviamente. Hoje, ele tem começado a construir o seu nome e tem até ganhado crédito na praça; a província inteira se volta para ele com orgulho e esperança enquanto ela tenta se reconstruir e saldar as dívidas que acumulou durante décadas de inadimplência. Todos sabem que ela é uma boa pessoa e esperam que seu ex-marido não decepcione.
Ah! Tiveram uma filha, bem bonitinha, como toda criança. É cabeça dura como a mãe, chama-se OT, para uns, TO, para outros. Essa é osso duro de roer, herdou o gênio forte da mãe e, como todo adolescente, já quer se impor. A província está dividida entre o seu pai e ela que tenta mediar o conflito dos pais.
Vai acabar pagando o preço da briga porque, como se diz, em briga de marido e mulher ninguém mete a colher.

Orquestre-se. Publique-se.   

3 comentários:

Anônimo disse...

Magnun, excelente a fábula...só quem entende de Teoria Linguística e Psicolinguística vai entender. Parabéns pela veia cômica! Acho que a filha não vai conseguir mediar nada, a não serr que se torne BEM mais dinâmica...
bjs,
Márcia

Jiquilin disse...

AHAHAHA

Ficou mto legal a paródia!

Anônimo disse...

Oi Magnun! Só tu mesmo, "Folológico". A-D-O-R-E-I o teu texto. Não podia esperar nada diferente de ti...
Bjs
Trícia