quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Educação versus Escolaridade

Tenho tido cada vez mais certeza: educação é totalmente diferente de escolaridade. Parece óbvio, mas a gente se confunde com essas coisas, porque tendemos a respeitar mais as pessoas letradas e eruditas. Postura essa talvez hipócrita e preconceituosa, mas, na minha observação do comportamento humano, ela reiteradamente aparece. Quero dizer é que damos muito valor àqueles que estudaram e relegamos à margem os que não tiveram tal sorte. No Brasil, estudar é mérito, o que, na verdade, deveria ser comum. De fato, a alta escolaridade e o estudo são dignos de valor, mas o que me intriga é a questão de avaliarmos as pessoas pelo grau, pelo título e pelo status que essas coisas projetam.


Não posso falar por todas as pessoas, mas venho observando que fazemos essa confusão básica entre educação e escolaridade. A educação é amor, é respeitar o próximo, independentemente do título, da profissão. E isso não se adquire em qualquer faculdade; é aquela máxima: “educação vem de berço”, mas independe se de uma manjedoura ou de um berço de ouro. A educação emerge na nossa família, na relação de amor e de respeito entre pai e filho. Não é uma sequência de conquistas anuais, mas um contínuo aprendizado de respeito das potencialidades do comportamento humano. Na verdade, a educação é compreensão e não avaliação; compreensão daquilo que é diferente, do que não temos condições de entender ainda. E não podemos dizer que somos seres educados, pois não somos. Enquanto persistirmos em avaliar as pessoas sem as conhecer, continuaremos a não entender o próprio Homem, com suas manifestações culturais de toda ordem.

E por não entendermos o que é a educação, é que julgamos as pessoas pelo seu grau acadêmico, porque, em princípio, ele é garantia de que algum valor humano. O que não quer dizer nada; caso contrário, não presenciaríamos episódios de jovens universitários incitando à violência contra homossexuais, nordestinos, negros, mulheres etc. Pura intolerância e desrespeito ao próximo. Pessoas como essas são seres sem um mínino de educação, de compreensão da sociedade contemporânea e cada vez mais global em que vivem. Ter alta escolaridade, entretanto, não é demérito, mas é preciso que ela nos mude como homens. O papel das instituições de ensino, muito além de nos preparar para o trabalho, é nos formar no sentido humano da coisa. E formar não é por em fôrma e dizer que alguém está pronto, mas é tão-só um termo indicativo de que é necessária uma relação entre a nossa formação e os nossos comportamentos cotidianos.

Educação é tudo, mas a escolaridade, às vezes, não nos diz muito. Contudo, não há nada que impeça alguém de ter uma formação acadêmica excelente e ser uma pessoa extremante educada. Digo, no entanto, que isso nem sempre acontece. Precisamos ficar atentos à nossa própria avaliação das coisas, pois tudo começa por aí. Deixando de avaliar, passando a compreender. A diferença básica entre educação e escolaridade está na postura diária, nas ações mais corriqueiras; está no ato de entregar a xícara do café à atendente, sorrir e dizer: muito obrigado!

2 comentários:

Anônimo disse...

Adorei seu artigo! Meus parabéns, concordo com você em tudo que afirmou, muito bem argumentado!

Eveline disse...

Parabéns! Adorei seu artigo, concordo com tudo o que afirmou no texto!