segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O Príncipe e seu ingresso no mundo da leitura e da escrita

Eu aos cinco anos - sala de entrada do Castelo

Em função ter nascido em uma cidade muito pequena, no interior do Rio Grande do Sul, o meu acesso a práticas contemporâneas de alfabetização e letramento foi extremamente restrito. Quando criança, o código escrito me desertava interesse, pois sabia que as representações por ele construídas constituíam um elo entre eu, enquanto pessoa, e o mundo dos adultos. Meus pais, quando jovens, cedo tiveram que trabalhar, o que lhes impossibilitou o acesso a altos graus de escolarização. Entretanto, não fora esse fato que impediu que eu também tivesse o mesmo destino. Pelo contrário, exatamente por não terem tido oportunidades de estudos, eles privilegiaram sempre e em qualquer circunstância a minha educação.



O meu acesso à leitura e à escrita, portanto, deu-se na escola, mas muito antes de meu ingresso formal. Na infância, o meu interesse pelo mundo escolar era tanto que eu fugia de casa para ir para a escola. Foi dessa forma que, muito antes do tempo, fui alfabetizado. A partir de então, as descobertas que fazia através da leitura instigavam mais ainda o meu interesse. As histórias da minha cidade - Pedras Altas - e de seu Castelo despertavam-me especial interesse, fazendo com que, nos horários de trabalho dos meus pais, eu me dirigisse ao Castelo Assis Brasil e lá ficasse por horas. Como era muito querido pela família, podia frequentar livremente os cômodos do Castelo, e a biblioteca – com mais de 20 mil exemplares – era um mundo de segredos que eu queria desvendar.

Biblioteca do Castelo Assis Brasil

Em um ambiente histórico e turístico, eu podia contar o que lia e o que ouvia. Contar as histórias da família Assis Brasil, lidas por mim pela primeira vez no Diário de Cecília de Assis Brasil, era a minha maior brincadeira. Receber os turistas e narrar tudo que tinha lido e vivido dentro daqueles cômodos era por demais prazeroso na minha infância. Minha paixão por tudo aquilo era tanto que, aos 12 anos, eu recebia sozinho os turistas que visitavam o Castelo. Enquanto os familiares recebiam um grupo, eu recebia outro, narrando as histórias da família como se a ela também pertencesse.




Foi, portanto, a partir de situações do meu cotidiano que eu pude ingressar no universo da leitura e da escrita, transformando as histórias lidas e vividas em um Castelo na minha própria história. O meu gosto especial pela história de uma família transformou-se na minha história também, fazendo com que eu traçasse meu destino para além daquelas torres.



5 comentários:

SuSan Riet disse...

Muito legal o texto e a tua história com as Letras também. Eu fui visitar o castelo e aquele lugar respira cultura, palavras e sentimentos.

Andréia e Iana disse...

Magnum eu que o diga pois assim como tu conheço bem o castelo ao qual por muito tempo recebi turistas junto ao nosso amigo Rodrigo, também aquele lugar me incentivou a fazer meu curso universitário,e serviu de inspiração para o desenvolvimento de meu trabalho na área da educação.
Adorei a tua história valorizando o nosso minicípio,bjs.

Marchiori Quevedo disse...

E aí, Magnun

Com certeza teu destino é para bem além daquelas torres, visto estares a tornar-te um linguista brilhante.

Grande abraço

Silvia disse...

Magnum!

Não é um sentimento ruim a inveja, se confessada. Então, não te importes com ela! Há também alegria através de ti ...

Não sei explicar o sentimento que trago em relação ao castelo. Não tanto ao lugar, mas à vida que nele havia. Quisera eu poder estar, como tu nele estiveste...

Ler o teu texto me faz, incrivelmente, ser invadida de boa emoção.

Vulcka disse...

Arrepiante! Uma história e tanto... Transitar por castelos é certamente fascinante, um sonhar acordado. *___*
Amo!