domingo, 16 de março de 2014

Pedras Altas: eleições, baixaria e ideais políticos

Diante das novas eleições na minha amada Pedras Altas, é claro, não posso deixar de falar sobre política, este assunto que provoca muitas inimizades na pequeníssima do meu coração. Para quem não sabe, Pedras Altas encontra-se em processo eleitoral em virtude da cassação do ex-prefeito Gabriel Júnior por compra de votos (nos termos jurídicos, captação ilícita de sufrágio). E esse é o primeiro e talvez o mais forte - mas não o único - motivo pelo qual não votaria naqueles que compunham a sua aliança partidária. Já não votei na eleição passada e com certeza não votaria nos seus pretendentes a sucessores. 

Alguns fatos que me aconteceram quando estive em P.A. das últimas vezes e outros que acompanhei pelo Facebook, já que, como todos sabem, é o meu único meio de acompanhar o movimento político de Pedras Altas, me fazem descrer no verdadeiro comprometimento dos políticos de “situação" (digamos, “situação" entre aspas porque é uma situação criada pela justiça - não esqueçamos que a verdadeira 'situação' foi cassada). Acompanho porque Pedras Altas é o minha cidade natal, é o meu domicílio e porque, consequentemente, me preocupo com o seu futuro.  Arrolo a seguir dois pequenos motivos de minha descrença:

1 - Reeleição do Gabriel em outubro de 2012. Chego em Pedras Altas para votar e, como é de praxe, alguém vem me pedir voto para o Gabriel. Este senhor, na verdade, só o fez porque é meu parente em algum grau. O tom do “pedido" foi o seguinte: - "Magnun, tu tens que votar no Gabriel porque ele ajudou muito a tua irmã, ela tem uma FG (Função Gratificada) agora e está muito bem. Ademais, deves lembrar como ela sofreu já em outros governos”. 

Eu só não dei um discurso sobre isso, porque nessas horas, em pleno dia de eleição, não iria me indispor com ninguém. Mas agora vou explicar: eu JAMAIS votaria em alguém pensando no benefício de X, Y, ou Z, mesmo que estes sejam a minha mãe, o meu pai ou a minha irmã. O meu voto, desde que sou capaz de fazê-lo, é pensado de uma forma ampla, porque não vejo a política como algo personalístico, que deve ser feita pra beneficiar um ou dois. Eu voto em ideias e não em pessoas,  simplesmente porque as pessoas passam e as ideias ficam. Os ideais que os políticos semeiam permanecem, proliferam quando são bons e os reflexos disso são vistos em sociedade que vive melhor. Acredito e continuarei acreditando em projetos políticos. Isso não impede, é claro, de votar errado e de me arrepender, mas, pelo menos, em minha consciência, eu investi naquilo que acreditei. 

2 - Campanha eleitoral no Facebook. Desde que mudei para a Holanda, minha única fonte de acesso ao que acontece em termos políticos em P.A. é a internet. Estou sempre procurando saber o que está ocorrendo, os avanços, as notícias, enfim, P.A. me interessa. Em um dia desses, acompanhei uma discussão no FB entre uma moradora e um representante do atual governo. A pedrasaltense, exercendo o seu direito de livre expressão, postou algo incomodada com o governo atual e com o modo como as coisas estavam em P.A. O representante, do alto de sua arrogância e falta de compromisso político (e eu diria também, de auto-crítica), responde assim: “olha, dona fulana, ouvi dizer que estás precisando de emprego. Me procura”. 

É claro que ele não iria dar um emprego para a pedrasaltense inconformada. Ele está, através do seu discurso, apenas evidenciando o modo como as coisas tem sido conduzidas neste governo: eles incham a máquina pública como modo mais poderoso de manipulação dos habitantes/eleitores. Todo mundo sabe que a prefeitura é o principal empregador, não há outras e nem inúmeras fontes de trabalho. E por isso, esse comportamento, além de abominável, demonstra muito do projeto político deles. Ele só fez isso porque sabia que a moradora “inconformada” não estava em condições iguais de discutir. Afinal, ela, como muitos outros pedrasaltenses, depende das decisões desses. O pior é que, no fundo, ele desqualificou o argumentador (no sentido de “quem é você para falar, nem trabalhar trabalha”) e não o argumento, que deveria ser o objeto da discussão. 


Essas duas anedotas são dois pequeníssimos exemplos do que acontece no cotidiano de muitos. Porém, em um análise um pouquinho mais cuidada, mostra muito das pessoas. Mostra muito de como se faz uma MÁ política. Eu, embora não vá poder votar agora no dia 06 de abril, como cidadão militante que sou, me sinto na obrigação de falar aquilo que  - tenho a absoluta certeza - representa muitos pedrasaltenses. Talvez eles não tenham coragem para falar, afinal, o dia-a-dia de (re)pressão política é intenso, mas pelo menos estão representados por mim aqui. A esses eu desejo sorte e luta nesses dias negros que se seguirão até o dia 06. Àqueles que puderem, eu peço que não se cubram com o manto da neutralidade porque esta aí NÃO EXISTE. Ninguém é neutro e nenhuma opinião é neutra. Sigamos lutando por IDEAIS, assim como nos ensinou Joaquim Francisco de Assis Brasil. O Castelo não é só uma atração turística, é um símbolo político. Não nos esqueçamos de que nele viveu um político que morreu sem jamais abrir mão de seus ideais.